O veganismo morreu

Atualizado: Out 4

Surgido para promover o respeito aos animais não humanos o movimento conhecido como veganismo, ao que parece, encontrou no ego humano um novo propósito: o desrespeito aos animais humanos.


Não raro vemos veganos que se auto intitulam "ativistas" condenando ao fogo do inferno espiritiual e à fogueira da ofensa verbal pessoas que ainda não compreenderam o assunto. Seria cômico se não fosse triste perceber que o agressor aqui é em muitos casos o mesmo sujeito que até pouco tempo atrás era, ele mesmo, um saldoso devorador e degustador do sofrimento animal que hoje ele condena.


Associar veganismo com uma "filosofia de amor e paz" nos dias de hoje é como argumentar que o cristianismo medieval era o caminho da paz que Cristo Jesus proclamou para o homem. Simplesmente não faz sentido.


Aliás, diga-se de passagem, a analogia é perfeita aqui. A história do cristianismo medieval reflete com perfeição o movimento vegano dos dias de hoje: uma alegoria quase infinita de pré-conceitos, julgamentos levianos, mentiras e falsas promessas, ofensas e condenações verbais e emocionais. De fato, o ser humano tem uma habilidade singular de distorcer conceitos e desvirtuar princípios. Sem sombra de dúvidas, se Jesus Cristo testemunhasse o desaforo que homosexuais, negros, mulheres e, agora, onívoros enfrentam na sociedade moderna ele gritaria em alto e bom som, na linguagem deles: "nãoooooooooooooooooooo mano, nãooooooooooo! não foi isso que eu ensinei carai".


Veganos "ativistas" são os inquisitores do séc XXI, no entanto, eles vêm com um upgrade. No Tribunal da Santa Inquisição Vegana (não duvido muito que logo logo isso seja criado) você também pode ser condenado e julgado impróprio para o convívio social - e portanto condenado à fogueira - se você comer carne animal ou usar algum artigo de origem animal.


Mas, cá entre nós: é totalmente compreensível.


O sentimento de justiça que move veganos à combater a injustiça contra os animais é como a homosexualidade e o racismo: só pode ser compreendido por quem o sente. E é na ausencia de tal sentimento que habita a ignorância. E desde que mundo é mundo o ser humano combate a ignorância com mais ignorância, a violência com mais violência, a revolta com mais revolta. E os brasileiros são, de fato, a personificação máxima dessa verdade: combateram Lula com Bolsonaro.


E esse é justamente o ponto principal.


Não é chegada a hora de uma nova atitude?

Já não passamos da hora de desenvolver uma nova forma de interagir e enfrentar a estupidez?


Certamente sim.

Uma pessoa que "luta" pela paz não pode utilizar-se de outra arma além da propria paz.

Uma pessoa que luta por igualdade de valores não pode inverter tais valores.


Como pode alguém esperar que, através do desrespeito, entendam o respeito?


Veganismo não é sobre respeitar os animais... nunca foi!

A palavra veganismo é como a honra, a lealdade, a humildade, a coragem... apenas uma palavra como qualquer outra, cunhada para expressar um sentimento. Extraia das palavras o seu sentimento, a sua mensagem, e elas perdem totalmente o sentido.


Cada palavra traz consigo um sentimento mas ele só é válido quando se transforma numa atitude. Palavras podem convencer, mas é o exemplo que arrasta. Palavras podem emocionar, mas são as atitudes que conquistam. Saber e agir são um e o mesmo.


E os sentimentos que a palavra veganismo traz, desde sempre foram estes dois: compaixão e empatia.


E compaixão é apenas compaixão. Empatia é apenas empatia.

Demonstrar compaixão por animais de outras espécies mas não tê-la pela sua própria coloca o vegano exatamente no lugar daquele que ele critica.


Quem acha que veganismo é sobre respeitar os animais, certamente ainda não entendeu a mensagem.


Talvez, penso que assim como Deus fez com o dilúvio, precisemos de uma nova palavra para expressar a empatia pelo TODO ao qual pertencemos, sem chauvinismos, pois, de fato, o tal veganismo morreu.




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