UMA IDEIA CUJO TEMPO CHEGOU

Atualizado: Out 4

De todas as leis que governam a existência de todas as coisas, muito provavelmente existam apenas duas que sejam verdades em qualquer planeta de qualquer galáxia de qualquer universo, ou seja, muito provavelmente só existem duas verdades que podemos afirmar que sejam “universais”: a matemática e sua expressão metafísica, a qual chamo de "lei da construção". Bom, a matemática você já conhece. Quero me ater, portanto, à lei da construção.


A lei da construção demonstra que para qualquer acontecimento, há sempre um processo que conduz à sua materialização.

Pouco antes de você ler este texto, você entrou no site. E antes disso algo aconteceu que fez o link deste texto chegar até você. E antes disso algo aconteceu para que isso acontecesse. A vida e toda a sua existência é, em si, um infinito conjunto de processos em constante acontecimento. “A mudança é a única constante em todo o universo” – Mitsugi Saotome.

Essa é a lei da construção: absolutamente nada, sejam verdades objetivas e concretas como um carro ou uma cadeira, quanto subjetivas e abstratas como valores, a moral e a ética, existem sem que um processo os anteceda. E você mesmo é a maior testemunha de tal verdade. Basta lembrar dos antecessores de smartphones, das telas de lcd, carro e tudo o mais que você utiliza hoje no seu dia-a-dia e que o cerca. Tudo era muito diferente: processo.

O mesmo é verdade para os valores humanos, aquelas verdades sobre as quais o homem constrói as leis, a ética e a moral. Nunca foram os mesmos. Também obedeceram à lei da construção. Estamos acostumados com as verdades de nosso tempo: leis trabalhistas, participação das mulheres na sociedade, direitos dos homossexuais e por isso tendemos a pensar, inconscientemente, que sempre foi assim. No entanto até bem pouco tempo atrás, por volta de 1870, a escravidão ainda era presente no Brasil e nos EUA turnos de trabalho de 16h eram “a lei” e você podia até mesmo encontrar crianças de 8 anos de idade trabalhando 6 horas por dia em fábricas têxteis com a concordância de seus pais, mulheres não eram inteligentes o suficiente para votar e homossexuais eram esculachados em público. E toda a verdade encontra, em seu tempo, a tutela jurídica e espiritual que a suporte. Nem mesmo Jesus Cristo se opôs à escravidão. Isso demonstra o poder e a força da lei da construção que crescemos ouvindo dos nossos avós: “tudo tem o seu tempo”.


Assim, sob a ótica da lei da construção, toda e qualquer atrocidade da consciência humana se torna compreensível e aceitável simplesmente pelo fato de que não poderia ser de outro jeito. O homem ainda não estava pronto para enxergar as coisas de outra forma.


A lei da construção é a ferramenta através da qual Deus atua como aquele pai severo que deixa o filho cair da bicileta para aprender que na aventura da vida, ematomas e arranhões fazem parte.


Uma vez entendendo isso se torna fácil compreender o momento que vive o direito dos animais na sociedade e sua expressão filosófica conhecida como veganismo.


Veganismo é o nome dado ao conjunto de escolhas que o homem faz para sobreviver no mundo sem causar o trabalho forçado, o sofrimento ou a morte de qualquer outro ser vivo. E o crescimento de sua presença no mundo se dá única e exclusivamente devido ao fato de que hoje ele encontra refúgio na maturidade do ego de boa parte da sociedade.


O movimento pela libertação dos animais da prisão da ignorância humana nada mais é, portanto, do que a continuação histórica dos processos sociais que conduziram à abolição da escravatura, ao sufrágio feminino e aos direitos dos homossexuais. É, pura e simplesmente, a lei da construção atuando na edificação do caráter do homem.


Por mais que ainda encontre obstáculos no frívolo prazer de alguns, tal como os negros encontraram na burguesia europeia, a libertação dos animais encontra no Tempo a sua força. Afinal, tal como disse Victor Hugo, “nada é mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou”.

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